Ossos do Ofício #8
O cliente: «Já não há Públicos!?»
Nós: «Já não...»
«Venderam todos???»
«Não!... Queimámos alguns!...»
Gosto de caldo-verde e do cheiro da terra molhada, gosto de ler, de repousar, de meditar e de gritar, gosto de ti, gosto daqui, mas também gosto dali, gosto disto e gosto daquilo, e acho que não consigo ser mais vago do que isto!...
O cliente: «Já não há Públicos!?»
Nós: «Já não...»
«Venderam todos???»
«Não!... Queimámos alguns!...»
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O cliente: «O pedido fica em nome de Doutor Lopes da Silva.»
A resposta: «É curioso! Ainda hoje atendi um senhor com o seu nome.»
O cliente: «Lopes da Silva?»
A resposta: «Não. Doutor.»
O trabalho está bem feito e o cliente satisfeito.
(Já estão a ver a ideia, certo? Mais posts do género em continuação...)
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Luís Daehnhardt
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O cliente: «Tem aí um livro que eu mandei guardar...»
A resposta: «Mandou não, pediu. Aqui quem manda são só os patrões!»
O trabalho está bem feito e o cliente satisfeito!
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O cliente chega ao balcão com o livro e diz: «Embrulhe-me, se faz favor!»
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Um dia destes estava à conversa com um amigo meu que me dizia assim: «olha, saíram com um jornal cinco DVDs com entrevistas e cenas do Agostinho da Silva, e já tenho tudo o que há do Agostinho em formato DVD». E eu disse-lhe: «olha que não. Lá na Zéfiro vamos editar um livro que é a transcrição de um Vídeo do Agostinho da Silva e que é totalmente inédito; o livro vem com o DVD…». E ele disse: «lá estás tu a promover a Zéfiro. Isso é mentira. Já saiu tudo o que havia para sair do Agostinho.» E eu respondi-lhe: «olha que não. Vai mesmo sair este livro.» E ele disse: «não acredito. Isso és tu a promover a editora onde tens um livro editado…».
Como não podia responder-lhe mais uma vez «olha que não», pois parecia de má educação, dei-lhe antes uma pêra. Eu comi uma banana. Também gosto de peras, mas as bananas são mais fáceis de descascar. E assim acabou o assunto, pois não se fala de boca cheia.
Mas queria que ele visse agora o belíssimo livro que a Zéfiro lançou, Agostinho da Silva – Ele próprio, e provar que não o estava a enganar.
Aparece cá em casa que desta vez comemos pão com queijo!
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Fruto de uma investigação altamente secreta, e que me afastou completamente das lides de bloguista assíduo, estou agora apto a revelar uma descoberta explosiva! Esta prende-se com o facto de autores portugueses adoptarem identidades estrangeiras para venderem os seus livros em todo o Mundo.
De três nomes tenho já provas irrefutáveis, que apresentarei num futuro próximo. Mas, desde já, posso adiantar que Paul Auster, David Lodge e Nicolas Sparks são, efectivamente, Paulo Austero, David Loja e Nicolau Fagulhas, todos de nacionalidade portuguesa.
Em relação a Paulo Austero podemos dizer que o Livro das Ilusões é, decididamente, uma obra onde este autor relata a “aventura” que é a escrita de livros desde Trás-os-Montes, de onde é natural, para todo o mundo. Ainda que através de uma linguagem cifrada e simbólica, o próprio nome diz tudo!...
Por outro lado, David Loja é, ou melhor, foi um modesto empregado de mesa, que se dividia entre a Quarteira, durante a semana, e Albufeira ao fim-de-semana. Da constante observação dos seus clientes ingleses, acabou por perceber a essência do humor britânico e escrever obras conhecidas no mundo inteiro.
Nicolau Fagulhas, ex-bombeiro de Almeida, vai buscar a sua inspiração ao profundo amor-não-correspondido que nutre pelo seu musculado ex-colega de profissão, Arnaldo.
Temos muitas outras suspeitas em relação a muitos outros autores. Desconfiamos também que muitos autores, que se dizem estrangeiros, nem são conhecidos no país de onde dizem que são. Dizem que são estrangeiros para se aproveitarem da atitude provinciana do portuga que tem aquela irritante mania de acreditar que o que vem lá de fora é que é bom!
Mas, e isto é verdadeiramente fantástico e, ao mesmo tempo, absurdo, temos ainda uma outra revelação a fazer: existem autores estrangeiros que se fazem passar por portugueses! Sim, é inacreditável mas é verdade!
O primeiro caso trata-se de um autor que não sendo português é de expressão portuguesa: Paulo Coelho é, na realidade, Paul Rabbit.
Esta investigação vai agora no princípio, mas pode tomar proporções gigantescas. Parece-me que isto é bem o espelho do que se passa no mundo em geral, em que ninguém quer ser aquilo que é, mas sim outra coisa qualquer!
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Luís Daehnhardt
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Hoje comemorou-se o Dia Mundial da Mulher.
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Luís Daehnhardt
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